Um estudo publicado na revista científica The Lancet Public Health traz um alerta importante sobre longevidade e qualidade de vida: embora a população esteja vivendo mais, uma parcela maior desses anos é passada convivendo com doenças, limitações ou incapacidades.
A pesquisa analisou dados de 204 países e territórios, entre 1990 e 2023, como parte do estudo Global Burden of Disease (GBD). No Brasil, o período médio vivido em condições de saúde consideradas ruins passou de 10,4 anos, em 1990, para 12,5 anos, em 2023 teve um aumento de aproximadamente 20%.
O que os números mostram sobre o Brasil?
O país aparece na 16ª posição entre 204 países e territórios em relação ao número de anos vividos com problemas de saúde. O indicador representa a diferença entre a expectativa de vida e a chamada expectativa de vida saudável, que considera o período vivido sem doenças ou incapacidades significativas.
O resultado reforça uma questão importante: viver mais não significa necessariamente viver com mais saúde.
Quais problemas mais contribuem?
De acordo com o levantamento, entre as principais condições associadas aos anos vividos com saúde debilitada estão:
- Problemas musculoesqueléticos, especialmente dores lombares;
- Transtornos mentais, como ansiedade e depressão;
- Doenças dos órgãos dos sentidos, incluindo perda auditiva relacionada ao envelhecimento;
- Lesões não intencionais, principalmente quedas;
- Outras doenças crônicas não transmissíveis.
O estudo também aponta fatores de risco importantes, como níveis elevados de glicose no sangue, excesso de peso, tabagismo e algumas formas de desnutrição.
Mais anos de vida com mais qualidade
Os dados chamam atenção para a importância de mudar o olhar sobre o envelhecimento. Além de aumentar a expectativa de vida, é fundamental buscar maneiras de ampliar o período vivido com autonomia, saúde e qualidade de vida.
Nesse cenário, medidas como prevenção, acompanhamento médico, atividade física, alimentação equilibrada, cuidados com a saúde mental e controle de doenças crônicas podem contribuir para um envelhecimento mais saudável.
O estudo reforça que o desafio da saúde pública não é apenas fazer com que as pessoas vivam mais, mas também ajudar a garantir que esses anos adicionais sejam vividos com mais saúde e autonomia.
Cuidar da saúde ao longo da vida é uma das formas de investir em um envelhecimento com mais qualidade. Prevenção, acompanhamento e hábitos saudáveis fazem parte dessa jornada.

