Nos últimos meses, o uso de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” (como Ozempic, Wegovy e Mounjaro), cresceu exponencialmente.
No entanto, um alerta importante tem ganhado destaque entre médicos e autoridades sanitárias: o uso dessas substâncias pode interferir diretamente na absorção de medicamentos orais, especialmente anticoncepcionais.
O que motiva esse alerta?
O principal mecanismo das canetas emagrecedoras é o retardo do esvaziamento gástrico. Isso significa que o medicamento faz com que a comida (e qualquer remédio tomado via oral) permaneça muito mais tempo no estômago antes de seguir para o intestino delgado, onde ocorre a maior parte da absorção.
Como o anticoncepcional depende de uma absorção rápida e constante para manter os níveis hormonais no sangue, esse atraso pode fazer com que a dose necessária para impedir a ovulação não seja atingida a tempo, comprometendo a proteção.
Quais são os riscos e medicamentos afetados?
- Falha Contraceptiva: Risco de gravidez mesmo tomando a pílula corretamente.
- Antibióticos: Atraso no início do combate a infecções.
- Analgésicos e Anti-inflamatórios: Demora prolongada para o alívio de dores agudas.
- Remédios de Janela Estreita: Medicamentos para epilepsia ou controle hormonal da tireoide podem ter seus níveis alterados no sangue.
A diferença entre as substâncias (Semaglutida vs. Tirzepatida)
Nem todas as canetas agem da mesma forma. Estudos recentes indicam que a Tirzepatida (Mounjaro) apresenta um risco maior de interação.
- Tirzepatida: Estudos mostraram uma redução significativa na concentração máxima de hormônios contraceptivos após a primeira dose ou após o aumento da dosagem.
- Semaglutida (Ozempic/Wegovy): Embora também atrase o esvaziamento do estômago, o efeito sobre a pílula parece ser menor, mas o monitoramento ainda é recomendado.
Como se proteger e garantir a eficácia do tratamento?
Se você faz uso de canetas emagrecedoras e utiliza anticoncepcional oral ou outros medicamentos contínuos, as recomendações das autoridades de saúde são:
- Métodos de Barreira: Utilize preservativos durante as primeiras 4 semanas após iniciar o tratamento com a caneta ou sempre que houver um aumento na dose.
- Troca de Método: Considere conversar com seu ginecologista sobre migrar para métodos que não passem pelo sistema digestivo, como o DIU (hormonal ou de cobre), implantes subcutâneos ou adesivos transdérmicos.
- Atenção aos Sintomas: Vômitos e náuseas são efeitos colaterais comuns dessas canetas. Se você vomitar em até 4 horas após tomar sua pílula, ela pode não ter sido absorvida.
O que dizem as autoridades:
A Anvisa no Brasil, junto com a FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), reforça que pacientes devem ser informadas sobre esse risco no momento da prescrição. Nos Estados Unidos e Europa, as bulas de medicamentos como o Mounjaro já trazem avisos específicos sobre a necessidade de métodos contraceptivos não orais ou de barreira durante o tratamento.
FONTES:

